'Nós vamos virar pedintes, quase?', reclama procurador

Tue, 10 Sep 2019 12:23:05 +0000 / 0 Comentários

No momento em que o País vê o índice de trabalho informal bater recorde, conta com 12,6 milhões de desempregados e tem salário mínimo de R$ 998, procuradores do Ministério Público do Estado de Minas Gerais estão preocupados com a possibilidade de não terem reajuste.

Como o cara vai viver com R$ 24 mil?

O desabafo é do procurador Leonardo Azeredo dos Santos. Em um áudio disponibilizado no site do MPMG e publicado pela Rádio Itatiaia, o procurador pede um posicionamento do órgão em favor de um aumento salarial. Em cerca de cinco minutos, ele argumenta como está difícil viver "nesse mizerê".

Leia trechos do desabafo:

"Vamos passar ano que vem a receber o salário verdadeiro nosso, que todo mundo já identificou que é um salário relativamente baixo, sobretudo para quem tem mulher e filho. Quando a gente não tem mulher e filho, o dinheiro sobra.

(...)

Como é que o cara vai viver com R$ 24 mil?

O que de fato vamos fazer para melhorar a nossa remuneração? Ou nós vamos ficar quietos? Não sei se vamos receber a mais, se vai ter algum recálculo dos atrasados que possa me salvar, salvar a minha pele. De qualquer forma, já estou baixando meu padrão de vida bruscamente, mas eu vou sobreviver.

(.)

Infelizmente, não tenho origem humilde. Não estou acostumado com tanta limitação. Talvez seja até mal visto, porque aqui está cheio de gente que diz que nós somos perdulários, que nós ganhamos muito, que nós é que temos que economizar.

(.)

Quero saber se nós, no ano que vem, vamos continuar nessa situação ou se vossa excelência já planeja alguma coisa, dentro da sua criatividade, para melhorar nossa situação? Ou se vamos ficar nesse mizerê?

(.)

Quem é que vai querer ser promotor?

(.)

Estou fazendo a minha parte. Estou deixando de gastar R$ 20 mil de cartão de crédito e estou passando a gastar R$ 8 (mil), para poder viver com os meus R$ 24 mil. Agora, eu e vários outros, já estamos vivendo à base de comprimidos, à base de antidepressivo. Estou falando desse jeito aqui com dois comprimidos sertralina por dia, tomo dois ansiolíticos por dia e ainda estou falando desse jeito. Imagine se eu não tomasse? Ia ser pior que o Ronaldinho. (.) Nós vamos virar pedintes, quase?

(.)

Será que estou pedindo muito para o cargo que eu ocupo? Será que meu cargo não merece uma remuneração que eu possa pagar o colégio dos meus filhos, por exemplo?"

À Rádio Itatiaia, o Ministério Público afirmou que "não estuda a adoção de benefícios para a carreira de procuradores, promotores ou de servidores, em vista da grave crise financeira vivida pelo estado".

Fonte: Huffpostbrasil